

Tarifaço de Trump: quando as big techs viram moeda de troca
Segundo o Olhar Digital, o governo Trump resolveu abrir as cartas e detalhar os argumentos por trás do novo tarifaço aplicado sobre produtos brasileiros. E, para quem esperava uma justificativa purame...
Márcio Petito
CEO da M3Solutions com mais de 20 anos de experiência em tecnologia e segurança
Segundo o Olhar Digital, o governo Trump resolveu abrir as cartas e detalhar os argumentos por trás do novo tarifaço aplicado sobre produtos brasileiros. E, para quem esperava uma justificativa puramente econômica, a surpresa veio embrulhada em outra roupagem: as críticas passam por comércio, mas também tocam em corrupção e, principalmente, no tratamento que o Brasil tem dado às gigantes de tecnologia, as chamadas big techs.
Confesso que, ao ler a matéria, minha primeira reação foi de curiosidade. Afinal, desde quando uma disputa tarifária mistura balança comercial com regulação de plataformas digitais? A resposta é simples e desconfortável: tecnologia deixou de ser um assunto técnico há muito tempo. Hoje ela é geopolítica pura.
Quando a tecnologia vira arma diplomática
O ponto central aqui não é o imposto em si, mas o recado. Os Estados Unidos deixaram claro que enxergam qualquer tentativa brasileira de regular ou responsabilizar empresas como Google, Meta e Amazon como uma ameaça aos interesses americanos. Ou seja, mexeu com as plataformas, mexeu com o bolso de Washington.
Isso deveria acender um alerta em qualquer empresário ou profissional de TI que acompanha o mercado. Vivemos uma era em que decisões tomadas em Brasília ou em Washington respingam diretamente na infraestrutura digital que sustenta o nosso dia a dia. Serviços de nuvem, ferramentas de produtividade, plataformas de pagamento: tudo isso está no meio desse fogo cruzado.
Pense na sua operação. Quantos sistemas essenciais da sua empresa dependem hoje de fornecedores estrangeiros? Provavelmente mais do que você gostaria de admitir. E quando o clima esquenta entre países, o custo dessa dependência pode aparecer de formas inesperadas, seja em preços, em disponibilidade de serviços ou em novas exigências regulatórias.
O que o empresário brasileiro precisa observar
Não estou aqui para pregar pânico, muito pelo contrário. Meu papel é ajudar a traduzir esse cenário em decisões práticas. Alguns pontos merecem atenção redobrada:
- Diversificação de fornecedores: depender de um único ecossistema tecnológico é sempre um risco, ainda mais em tempos de tensão internacional.
- Soberania dos dados: entender onde suas informações estão armazenadas e sob quais regras deixou de ser detalhe jurídico e virou est
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