

Rolagem infinita no banco dos réus: quando o design vira armadilha
Segundo o Olhar Digital, a Comissão Europeia chegou a uma conclusão que muita gente já suspeitava, mas poucos empresas admitem em voz alta: mecanismos como rolagem infinita e reprodução automática de ...
Márcio Petito
CEO da M3Solutions com mais de 20 anos de experiência em tecnologia e segurança
Segundo o Olhar Digital, a Comissão Europeia chegou a uma conclusão que muita gente já suspeitava, mas poucos empresas admitem em voz alta: mecanismos como rolagem infinita e reprodução automática de vídeos foram desenhados para prender a atenção do usuário no que os pesquisadores chamam de "piloto automático". E o alvo mais vulnerável, segundo o relatório, são os jovens.
A acusação é séria e mira diretamente a Meta, dona do Instagram e do Facebook. Caso as investigações confirmem que essas plataformas violam o Digital Services Act, a legislação europeia de serviços digitais, a multa pode chegar a valores bilionários. Estamos falando de sanções que podem alcançar até 6% do faturamento global anual da empresa.
Por que isso interessa a quem gerencia tecnologia
Você pode estar pensando: "sou dono de uma empresa pequena, o que isso tem a ver comigo?". Tem, e muito. Essa discussão europeia abre um precedente importante sobre como funcionalidades de software podem ser interpretadas juridicamente. O que hoje é acusação contra gigantes, amanhã vira regra de conformidade para todo mundo.
Quem trabalha com TI ou toma decisões de negócio precisa entender que design de produto não é apenas questão de usabilidade. Existe uma camada ética e regulatória crescendo por baixo de cada botão e cada tela. Ignorar isso pode custar caro no futuro.
Os pontos que a União Europeia colocou sob a lupa incluem:
- Rolagem infinita: aquela tela que nunca acaba e faz você perder a noção do tempo.
- Reprodução automática: o próximo vídeo já começa antes de você decidir se quer assistir.
- Falta de controles claros: dificuldade do usuário em desativar recursos que estimulam o uso excessivo.
A linha tênue entre engajamento e manipulação
Aqui entra a minha reflexão. Todo produto digital quer engajamento, isso é legítimo. O problema começa quando o engajamento vira dependência projetada de propósito. A diferença entre uma ferramenta útil e uma armadilha comportamental está justamente na intenção por trás do design.
Empresas sérias percebem que transparência é um ativo, não um obstáculo. Dar ao usuário o controle sobre a própria experiência não enfraquece o negócio, fortalece a confiança. E confiança, no ambiente digital, é o recurso mais escasso que existe.
Na prática, isso vale para qualquer
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