

IBM: a morte do mainframe que já dura décadas (e nunca chega)
Segundo o Olhar Digital, a IBM divulgou nesta quarta-feira os resultados do seu segundo trimestre e trouxe um número que fez muita gente arregalar os olhos: a queda de 42% nas vendas de mainframe. À p...
Márcio Petito
CEO da M3Solutions com mais de 20 anos de experiência em tecnologia e segurança
Segundo o Olhar Digital, a IBM divulgou nesta quarta-feira os resultados do seu segundo trimestre e trouxe um número que fez muita gente arregalar os olhos: a queda de 42% nas vendas de mainframe. À primeira vista, parece o começo do fim para aquele computadorzão gigante que muita gente acha que só existe em filme antigo. Mas a empresa saiu rápido para acalmar o mercado, garantindo que a inteligência artificial não está matando o mainframe. E, honestamente, ela tem razão. Vamos entender o porquê.
Quem trabalha com tecnologia há algum tempo sabe que essa história de "o mainframe vai morrer" já dura décadas. A cada nova onda tecnológica, alguém aparece decretando o fim dessas máquinas. Primeiro foi o PC, depois a internet, depois a nuvem e agora a IA. Só que, teimosamente, o mainframe continua ali, processando bilhões de transações por dia em bancos, seguradoras, companhias aéreas e órgãos de governo pelo mundo inteiro.
Por que uma queda de 42% não significa colapso
Aqui vale explicar uma dinâmica que confunde muita gente. O negócio de mainframe da IBM funciona em ciclos. Quando a empresa lança uma nova geração de processadores, as vendas disparam. Nos trimestres seguintes, com os clientes já equipados, as vendas naturalmente caem até o próximo lançamento. Ou seja, essa queda de 42% não é necessariamente um sinal de abandono da tecnologia, mas sim o comportamento esperado de um mercado que trabalha em ondas.
É como comprar um carro robusto que dura quinze anos. Você não troca todo ano. Depois da aquisição, fica um bom tempo sem gastar. Isso não quer dizer que você deixou de usar o carro, muito pelo contrário, ele roda todos os dias.
O que me chama atenção nessa notícia é a narrativa que se cria em torno da inteligência artificial. Virou moda atribuir qualquer movimento do mercado à IA. Vendas caíram? É a IA. Alguém demitiu? É a IA. Só que a realidade dos ambientes corporativos é bem menos dramática e bem mais técnica do que as manchetes sugerem.
O mainframe e a IA são aliados, não rivais
Um ponto interessante é que a própria IBM está integrando recursos de inteligência artificial diretamente nos seus mainframes. A ideia é processar modelos de IA perto de onde os dados críticos já estão, sem precisar movimentar informações sensíveis para outros ambientes. Para quem lida com fraude bancária em tempo real,
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